Perspectivas de adoção do Relato Integrado no Brasil

Por Daniel de Faria A adoção do Relato Integrado pelas empresas tem ganhado espaço no Brasil. Estudo realizado pela International…

Daniel de Faria

Por Daniel de Faria

A adoção do Relato Integrado pelas empresas tem ganhado espaço no Brasil. Estudo realizado pela International Federation of Accountants (IFAC), juntamente com o Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA) e o Chartered Institute of Management Accountants (CIMA), mostra o Brasil entre os quatro países que mais publicam Relatos Integrados. O levantamento, publicado em junho, considerou 1.400 empresas de 22 países, e foi compartilhado pela Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado (CBARI).

Conforme o International Integrated Reporting Council (IIRC) – na tradução, Conselho Internacional para Relato Integrado, o Relato Integrado promove uma abordagem mais coesa e eficiente ao processo de elaboração de relatos corporativos.

De acordo com o IIRC, o Relato Integrado visa: melhorar a qualidade da informação disponível a provedores de capital financeiro, permitindo uma alocação de capital mais eficiente e produtiva; promover uma abordagem mais coesa e eficiente do relato corporativo, que aproveite as diversas vertentes de relato e comunique a gama completa de fatores que afetam, de forma material, a capacidade de uma organização de gerar valor ao longo do tempo. E ainda: melhorar a responsabilidade pela gestão da base abrangente de capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, de relacionamento e natural) e fomentar o entendimento de suas interdependências; apoiar a integração do pensamento, da tomada de decisão e das ações que focam na geração de valor no curto, médio e longo prazos.

O relatório integrado, que também pode ser um produto resultante do relato, utiliza uma abordagem baseada em princípios, conforme a Estrutura Internacional de Relato Integrado, e considera oito elementos de conteúdo, respondendo à pergunta feita para cada um deles. São eles:

  • Visão geral organizacional e ambiente externo: O que a organização faz e sob quais circunstâncias ela atua?
  • Governança: Como a estrutura de governança da organização apoia sua capacidade de gerar valor em curto, médio e longo prazo?
  • Modelo de negócios: Qual é o modelo de negócios de organização?
  • Riscos e oportunidades: Quais são os riscos e oportunidades específicos que afetam a capacidade da organização de gerar valor em curto, médio e longo prazo, e como a organização lida com eles?
  • Estratégia e alocação de recursos: Para onde a organização deseja ir e como ela pretende chegar lá?
  • Desempenho: Até que ponto a organização já alcançou seus objetivos estratégicos para o período e quais são os impactos no tocante aos efeitos sobre os capitais?
  • Perspectiva: Quais são os desafios e as incertezas que a organização provavelmente enfrentará ao perseguir sua estratégia e quais são as potenciais implicações para seu modelo de negócios e seu desempenho futuro?
  • Base para apresentação: Como a organização determina os temas a serem incluídos no relatório integrado e como estes temas são quantificados ou avaliados?

Com sua primeira versão lançada em 2013, o Relato Integrado é uma prática recomendável para as empresas, apesar de não ser obrigatório. A Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado (CBARI) é uma articuladora para sua adoção e, mais recentemente, a ferramenta passou a contar com regulamentação no Brasil por meio da aprovação da Orientação Técnica CPC 09 – Relato Integrado emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), em 6 de novembro de 2020. Segundo divulgado, a intenção do CPC com o documento não é tornar obrigatória a elaboração do Relato Integrado, “mas torná-lo referência como metodologia de integração de informação financeira com a não financeira.”

Em 9 de dezembro de 2020, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) emitiu a Resolução CVM nº 14/2020, em que aprovou a referida orientação técnica e determinou que, caso as empresas de capital aberto optem pela sua adoção, ela deve ser objeto de asseguração limitada por auditor independente registrado na CVM.

De acordo com publicação do IIRC, espera-se que, ao longo do tempo, o Relato Integrado se torne o padrão de relatos corporativos. A ideia é que as organizações deixarão de produzir comunicações numerosas, desconexas e estáticas. Na avaliação do conselho internacional, a mudança será possibilitada pelo processo de pensamento integrado e pela aplicação de princípios como a conectividade de informação.

Daniel de Faria é sócio da Planning, contador e auditor independente


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