Crise elétrica reforça necessidade do uso eficiente de energia

A matriz elétrica brasileira é predominantemente formada por fontes renováveis, que foram responsáveis por 84,8% dos 645,9 Terawatt-hora (TWh) ofertados…

A matriz elétrica brasileira é predominantemente formada por fontes renováveis, que foram responsáveis por 84,8% dos 645,9 Terawatt-hora (TWh) ofertados em 2020, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2021, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Apesar das projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), referentes a evolução da capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional (SIN) entre 2021 a dezembro de 2025, mostrarem a continuidade da maior participação de fontes renováveis na matriz de energia, a atual crise elétrica vivenciada, associada a crise hídrica, revela ser cada vez mais necessário investir em soluções para diminuir desperdícios no consumo, bem como ampliar a geração por fontes limpas alternativas a hidráulica. As empresas, juntamente com a sociedade como um todo, podem e devem participar desse movimento.

Catálogo lançado pelo Observatório do Clima, em agosto deste ano, traz uma série de sugestões para reduzir emissões de gases de efeito estufa nos municípios, entre elas, medidas com foco no setor de energia elétrica, válidas para a busca do uso mais eficiente desse recurso.

Denominado de SEEG Soluções, a publicação apresenta 19 soluções com foco em eficiência energética e na maior utilização de tecnologias de geração local, distribuída e renovável. Uma delas prevê o uso do código de obras para inserir ações específicas de promoção da eficiência energética em edificações. Outra prevê a aplicação de medidas de modernização das instalações elétricas e retrofit de edificações, com o mesmo intuito. O retrofit é apresentado como a remodelação de um edifício com a finalidade de alteração e adaptação de seu uso, assim como incorporação de medidas que aprimorem seu desempenho, preservando seus aspectos originais.

Outra sugestão é promover a geração distribuída de energia elétrica em residências, estabelecimentos comerciais, plantas industriais e zona rural. A publicação destaca que, em edificações, as formas mais comuns de geração distribuída (GD) são a fotovoltaica, a eólica e a por motogeradores a diesel ou gás natural. Segundo explica, os sistemas de GD podem ser conectados à rede de distribuição (on-grid) ou operar isoladamente (off-grid).

A publicação aponta que a geração em residências, comércios, indústrias e zona rural pode se valer também das modalidades de Empreendimento com Múltiplas Unidades Consumidoras (EMUCs) e de Geração Compartilhada. Na modalidade de EMUCs, cita que condomínios verticais ou horizontais podem compensar a geração entre unidades consumidoras. Já a Geração Compartilhada, pode ser feita por consórcio ou cooperativa. No modo de consórcio, duas ou mais empresas partilham um sistema de geração. Enquanto que, as cooperativas, segundo o SEEG Soluções, são constituídas por indivíduos e a energia é compensada nas unidades de consumo de seus membros.

Entre as possibilidades de estímulo à GD que podem ser adotadas pelos municípios a publicação cita descontos de impostos para edificações que instalarem geradores. Exemplos seriam o desconto do IPTU proporcional ao índice de aproveitamento de energia solar e o desconto do ISSQN, incidente sobre projetos, obras e instalações de energia solar fotovoltaica.

Outra medida proposta é o incentivo ao uso de aquecedores solares de água em residências, estabelecimentos comerciais, plantas industriais e zona rural. A iniciativa, segundo informado, contribui para o aumento da eficiência energética e para a redução da demanda de energia elétrica no sistema elétrico brasileiro, o que contribui para postergar investimentos na ampliação de infraestrutura de suprimento de eletricidade, além de evitar emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Outra solução apresentada é alterar ou reduzir o horário de operação de equipamentos em edificações públicas, residenciais, comerciais e industriais.

Com uma matriz elétrica prioritariamente renovável, com grande dependência hoje das hidrelétricas, é válido lembrar que todas ações favoráveis a preservação do meio ambiente também são fundamentais para assegurar a continuidade da geração de energia elétrica limpa. Por outro lado, o uso desse tipo de fonte gera um menor impacto ambiental. Ou seja, é um “ganha-ganha”, que, para ser mantido, demanda colaboração de todos.

Na Planning, incentivamos a economia no uso de água e energia. Entre as metas para 2021 de nossa política de sustentabilidade está reduzir em 10% o consumo desses recursos na empresa.

Matriz elétrica brasileira

Participação na oferta total por tipo de fonte

Fonte: BEN 2021/Relatório Síntese


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