O presidente Lula sancionou a lei que cria o Comitê Gestor do IBS, marco decisivo para a implementação prática da Reforma Tributária.
Na prática, a sanção destrava a regulamentação dos novos tributos, especialmente o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), e encerra uma das maiores incertezas do processo: quem será responsável pela gestão, fiscalização e operacionalização do novo imposto.
A reforma deixa, definitivamente, o campo do debate político e entra na fase de execução institucional.
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O que é o Comitê Gestor do IBS e por que ele era o principal gargalo da reforma
Desde a promulgação da Emenda Constitucional da Reforma Tributária, especialistas apontavam um ponto crítico:
sem um órgão central de governança, o IBS não teria como funcionar de forma coordenada entre União, estados e municípios.
O Comitê Gestor do IBS nasce justamente para resolver esse impasse.
Entre suas atribuições estão:
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administrar a arrecadação do IBS
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definir regras operacionais e procedimentos
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coordenar a fiscalização do imposto
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realizar a distribuição da arrecadação entre entes federativos
Sem essa estrutura, a transição prevista para os próximos anos ficaria limitada ao papel. Com a sanção da lei, o sistema ganha musculatura institucional.
Por que essa sanção acelera a Reforma Tributária na prática
A criação do Comitê Gestor tem um efeito direto e imediato:
ela libera a edição de normas complementares, regulamentos e atos operacionais que dependiam da definição de governança.
Isso significa:
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avanço concreto na regulamentação do IBS
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maior previsibilidade sobre regras, prazos e obrigações
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redução da incerteza jurídica sobre a transição
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pressão real sobre empresas para adaptação estrutural
A Reforma Tributária passa a ter cronograma, responsáveis e execução.
IBS: de conceito constitucional a imposto operacional
Até aqui, o IBS era um desenho constitucional com alto grau de abstração.
Com a sanção da lei do Comitê Gestor, o imposto começa a ganhar vida operacional.
Esse movimento abre caminho para:
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definição de sistemas de arrecadação
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integração entre fiscos
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detalhamento das regras de crédito e débito
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padronização de procedimentos
Para empresas, isso muda completamente o cenário.
O foco deixa de ser “quando a reforma vai acontecer” e passa a ser como ela vai impactar preços, contratos, margens e estrutura tributária.
O impacto para empresas: o fim do improviso
A principal mensagem desse movimento é clara:
a Reforma Tributária entrou em modo execução.
Para empresas do Lucro Real e Presumido, isso significa:
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necessidade de revisar contratos de longo prazo
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reavaliação de formação de preços
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análise de impactos na cadeia de crédito
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adequação de ERPs e sistemas fiscais
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revisão de estruturas societárias e operacionais
Quem deixar para reagir apenas quando as regras estiverem “100% claras” corre o risco de agir sob pressão, custo maior e menor margem de escolha.
Governança definida muda o jogo da transição
Um dos maiores riscos apontados desde o início da reforma era a fragmentação:
cada ente interpretando regras, criando exceções e disputas.
O Comitê Gestor do IBS surge justamente para centralizar decisões técnicas, reduzir conflitos e dar coerência ao sistema.
Isso não elimina a complexidade da transição, mas traz previsibilidade institucional, algo essencial para planejamento empresarial.
O que esperar a partir de agora
Com a sanção da lei:
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novas normas infralegais devem ser publicadas
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o cronograma de transição tende a ganhar mais clareza
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testes operacionais e ajustes técnicos devem se intensificar
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empresas passam a ter menos espaço para postergar decisões
A Reforma Tributária deixa de ser um “tema futuro” e passa a ser agenda estratégica de curto e médio prazo.
Conclusão: a Reforma Tributária já está em execução
A sanção da lei que cria o Comitê Gestor do IBS deixa uma coisa clara:
a Reforma Tributária já começou.
Não se trata mais de se antecipar a algo futuro, mas de governar impactos que já estão sendo construídos agora, em normas, sistemas, contratos e estruturas fiscais.
Para empresas, o recado é direto:
Fiscalização não avisa. Diagnóstico sim.
Quem trata a reforma como agenda ativa ganha controle sobre decisões críticas.
Quem ignora esse movimento perde margem, previsibilidade e poder de escolha.
A discussão saiu do campo político. Agora é execução. Governança. Operação.


